COLUNA DO NENA CABRAL (13/05/14)
AÉCIO
SOBE, E DIMINUI A CHANCE DE DILMA SER
REELEITA NO 1º TURNO
Diminuiu a chance de a presidente Dilma Rousseff
vencer no primeiro turno a eleição de 5 de outubro. Uma das principais razões
foi o crescimento das intenções de voto do pré-candidato do PSDB, o senador
Aécio Neves (MG).
Segundo o Datafolha, no cenário mais provável a
petista teria hoje 37% das intenções de voto e os outros candidatos estariam
com 38%, somados. É uma situação de empate técnico, pois a margem de erro da
pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O levantamento do Datafolha foi feito ontem e
anteontem com 2.844 entrevistas, em 174 municípios do país.
Apesar de ter variado na margem de erro, a curva de
Dilma não é estável. Ela tem recuado gradualmente nos levantamentos do
Datafolha –enquanto seus dois principais rivais estão em ascensão.
No cenário hoje mais provável para a disputa de
outubro, liderado por Dilma com 37%, o segundo colocado é Aécio, com 20%. Ele
tinha 16% no início de abril. O tucano ganhou quatro pontos e apresentou a
maior variação entre todos os candidatos.
O terceiro colocado é Eduardo Campos (PSB), que
registrou 11% agora e também apresenta curva ascendente, sempre dentro da
margem de erro –tinha 10% em abril e 9% em fevereiro. O pessebista é conhecido
muito bem ou um pouco por 25% dos eleitores. Essa taxa é de 86% para Dilma e de
42% para Aécio.
Segundo o Datafolha, 16% dos entrevistados dizem
que votariam hoje em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos. Outros 8%
declaram que ainda estão indecisos.
Dilma e o PT fizeram um esforço nos últimos dias
para estancar sua perda de popularidade e frear o movimento pela volta do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato a presidente.
Segundo o Datafolha, 58% dos eleitores acham que
Lula deveria ser o candidato do PT. Entre os que declaram preferência pelo
partido, 75% dizem preferir Lula como candidato nas eleições deste ano.
Embora a variação de suas intenções de voto tenha
sido negativa, Dilma ficou dentro da margem de erro da pesquisa. A aprovação ao
governo (soma de quem acha o governo "ótimo" ou "bom") hoje
é de 35%. Há um mês, era 36%.
Um aspecto positivo para a presidente é que as expectativas
econômicas dos eleitores pararam de deteriorar.
Mas continuou a crescer o anseio do eleitorado por
mudanças. Hoje, 74% dos eleitores dizem querer mudanças na forma como o país é
governado. Para 38%, Lula é o mais preparado para fazer essas mudanças. Dilma
foi citada por 15%. Ela tinha 16% há um mês e 19% em fevereiro.
Aécio e Campos melhoraram seu desempenho de
fevereiro para cá. Há cerca de dois meses, o tucano era apontado como o mais
preparado para fazer mudanças por 10% dos eleitores. Agora, 19% pensam assim.
Campos era apontado por 5% e agora tem a simpatia de 10%.
O bloco dos nanicos é liderado por um ex-apoiador
do PT e de Dilma, o candidato Pastor Everaldo (PSC), que tem 3% das intenções
de voto e está empatado tecnicamente com os outros nanicos.
Eduardo Jorge (PV), José Maria (PSTU), Denise Abreu
(PEN) e Randolfe Rodrigues (PSOL) registraram 1% cada um. Eymael (PSDC), Levy
Fidelix (PRTB) e Mauro Iasi (PCB) tiveram menos de 1%.
Fonte:
Folha de S.Paulo
PERDAS E GANHOS
O Datafolha confirma que o
pronunciamento na TV, o pré-lançamento pelo PT e o excesso de exposição em
solenidades, jantares, no twitter e no Itaquerão conseguiram estancar a queda
de Dilma. Mas a coisa não está boa.
Aécio bateu cedo nos 20%, a cinco meses das eleições, e o segundo turno já é
praticamente uma realidade no cenário mais real, com os nanicos. Apesar das
previsões de Marina Silva, o resultado do segundo turno a Deus pertence. A
diferença entre Dilma e Aécio caiu de 27 para 11 pontos. E, entre Dilma e Campos,
de 32 para 17.
Dilma, porém, tem mais do que só exposição. Tem estratégia, um cronograma a
favor, programa de TV em maio e passa a contar com uma reversão gradual do mau
humor com a economia. Caiu a expectativa de inflação, pela primeira vez desde
2012. Muda o humor na economia, mudam os ventos na política.
Tudo indica que Dilma não só estancou a queda na popularidade e nas intenções
de voto como deve começar a recuperar parte do capital perdido. A questão é
quanto.
Ela não começou a cair só com os protestos de junho de 2013. Todo mundo
esquece, mas já tinha perdido oito pontos entre março e o início de junho. Há,
aliás, uma simbiose entre a queda da popularidade da presidente e a ida das
pessoas às ruas.
O seu pico de popularidade foi de 65%, em março de 2013. O fundo do poço foi
com 30%, três meses depois. E agora? Está com 35%. Dos 35 pontos perdidos, só
recuperou cinco.
Quanto à oposição: está na fase do cresça e apareça. Aécio, mais conhecido e
com um partido mais estruturado e mais identificado como oposição, leva
vantagem em relação a Campos. Vem subindo e vai criando a sensação de que tem
mais fôlego para chegar ao segundo turno.
Eis o risco: ele passar a apanhar não só de Dilma e do PT, mas de Campos e de
Marina --neste caso, sem poder revidar. Ele precisa duplamente de Campos e
Marina: para chegar ao segundo turno e para disputá-lo.
Fonte: Folha de S.Paulo
A MIRAGEM DE DILMA
O Datafolha acaba de fazer uma nova sondagem
eleitoral e também sobre a popularidade do governo de Dilma Rousseff.
Quando se observa a curva de aprovação de Dilma,
nota-se que a petista foi vítima de uma miragem depois dos protestos de rua em
junho do ano passado. Sua popularidade caiu de 65% para 30%.
Dilma fez então uma série de movimentos, inclusive
alguns que não melhoram em nada sua aprovação popular –como a polêmica proposta
de Constituinte exclusiva para a reforma política. Em novembro passado a
popularidade da presidente foi a 41%. Era uma miragem. Só que o Planalto
enxergou as coisas entrando nos eixos. Nessa crença, mais popularidade viria
por decantação.
A avaliação resultou completamente errada. Na
realidade, os 30% de junho de 2013 estavam contaminados pelo momento. Passados
os protestos, Dilma apenas voltou para onde já estivera na fase pré-marchas.
Ocorre que os seus 40% eram corroídos por uma erosão silenciosa.
Feliz com a recuperação postiça de popularidade,
Dilma sumiu do mapa. Quando fevereiro chegou, os magos do governo acordaram
novamente. As coisas não estavam tão bem assim. No começo de abril, a presidente
derrapou para 36% de aprovação. Agora, está em 35%.
Nas últimas semanas, Dilma mergulhou em ações
midiáticas. Falou mais com jornalistas, numa abordagem curiosa sobre como se dá
o relacionamento de um presidente com a mídia. O contato só existe como um
favor ou se há uma crise –quando deveria ser um ato republicano constante de
quem exerce o poder.
E qual foi o efeito da investida de marketing? Nulo
(ela ficou no mesmo lugar) ou Dilma estaria pior se não tivesse feito nada?
Difícil saber.
Uma coisa é certa. As reações da presidente sempre
parecem pouco estudadas, tardias e com consequências aquém do que desejariam os
seus aliados, dentro e fora do PT.
Fonte:
Folha de S.Paulo
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