Quem comparar o desempenho de Brasil
e Argentina por um prazo mais longo de 30 anos, por exemplo-- verá que, na
média anual, os dois países têm crescimento econômico quase idêntico, nem muito
ruim nem muito bom.
Mas médias são enganosas e escondem
as diferenças de temperamento entre os dois vizinhos. Os argentinos, nessas
três décadas, viveram uma montanha-russa em que picos de prosperidade se
alternaram com colapsos e tragédias dignos das grandes depressões. Os
brasileiros experimentaram oscilações bem mais suaves e distanciadas; a euforia
no Plano Cruzado e a recessão do Plano Collor ficaram para trás.
A Argentina embarcou muito mais
radicalmente tanto na onda neoliberal dos anos 90 quanto no novo desenvolvimentismo
sul-americano deste século; o Brasil seguiu uma e outro com menos fidelidade e
mais pragmatismo, no estilo nacionalmente consagrado pelo PMDB, talvez a
verdadeira ideologia do país.
Dilma Rousseff, conscientemente ou
não, aparenta ter atingido a quintessência da previsibilidade. A produção e a
renda se movem lentamente, a taxas muito parecidas a cada ano, sem
turbulências, com desemprego baixo, aparato de seguridade social em expansão e
queda vegetativa da pobreza e da miséria.
Esquecidas as promessas de grandeza
da primeira campanha eleitoral da presidente, resta ao governo brasileiro e a
seus pensadores teorizar sobre as virtudes da temperança e do amparo estatal,
ainda mais na comparação com sacrifícios pouco recompensadores do passado. Os
índices de popularidade de Dilma sugerem que não é pequeno o apelo dessa
mensagem no eleitorado.
A dúvida é por quanto tempo mais a
calmaria poderá ser mantida. A finança global e os desequilíbrios domésticos
sugerem que um ajuste terá de ser feito em 2015, no primeiro ano do próximo
governo. Mas o mercado muitas vezes antecipa a conta.
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