COLUNA DO NENA CABRAL: "FANTASMAS DO PASSADO"
"FANTASMAS DO PASSADO"
O eleitor vota quase sempre movido por dois sentimentos, o medo ou a
esperança. Às vezes, a combinação de ambos.
O PT colocou ontem no ar um comercial de um minuto nos intervalos das
TVs abertas. Explora o discurso do medo. Pessoas são mostradas vendo a si
próprias num passado recente quando não tinham acesso a emprego, escola, saúde
e lazer. Ao fundo, uma música de apelo fúnebre.
"Não podemos deixar que os fantasmas do passado voltem e levem tudo
que conseguimos com tanto esforço", diz o locutor. "Nosso emprego de
hoje não pode voltar a ser o desemprego de ontem. Não podemos dar ouvidos a
falsas promessas. O Brasil não quer voltar atrás".
Em resumo, diz o PT, sem a reeleição de Dilma Rousseff virá o caos. A narrativa
é clássica. Visa a inocular o pânico em quem teve alguma melhora de vida. A
presidente necessita estancar a erosão em sua popularidade e assegurar o núcleo
duro de seu eleitorado, na faixa de 30% a 35%. Desse rebanho não pode fugir nem
mais uma ovelha. Daí a escolha do tom quase de velório do comercial veiculado
ontem à noite.
Vai funcionar? Difícil saber. João Santana, o marqueteiro dilmista, não
usaria um filme sem testá-lo antes.
Em eleições passadas, a estratégia do medo foi muito usada. Em 1998, o
jingle de FHC falava de um "mundo turbulento" e de um Brasil que não
podia parar. Parar com quem? Com Lula, que era o adversário. Deu certo.
Em 2002, José Serra levou a atriz Regina Duarte à TV dizendo que estava
com medo. Lula rebateu com o "a esperança vai vencer o medo". Deu PT.
Em 2006 e 2010, os petistas jogaram com o medo do fim do Bolsa Família.
Ganharam tudo.
Agora é a vez de Dilma. A propaganda de ontem tem chuva cenográfica e
uma imagem com textura de cinema. Parece um daqueles filmes bíblicos de Franco
Zeffirelli. Talvez um pouco triste demais para quem também precisa vender
esperança.
Fonte:
Folha de S.Paulo
CAMPOS ADOTA NOVO TOM E COMPARA DILMA A FHC
Para descolar a sua campanha à do PSDB, o
pré-candidato do PSB à sucessão presidencial, Eduardo Campos, comparou o
governo da presidente Dilma Rousseff (PT) ao segundo mandato do tucano Fernando
Henrique Cardoso.
O dirigente do PSB disse, em encontro nesta
terça-feira (13) com empresários do gás natural, que a atual crise energética é
comparável à de 2001, quando o país passou por racionamento de energia.
Segundo ele, para não ser comparado à administração
tucana, o governo federal não tem atuado de maneira transparente ou adotado
medidas para evitar o agravamento do atual quadro energético no país.
"O atual governo federal não quer confessar
que deixou o país em uma situação semelhante ao outro governo que ela [Dilma
Rousseff] combatia em 2001", criticou. "Não quer evidenciar ao Brasil
a semelhança dos dois", acrescentou.
O crescimento do
pré-candidato do PSDB, Aécio Neves, nas últimas pesquisas eleitorais levou o
PSB a reformular a sua estratégia eleitoral. O partido elevou o tom das
críticas à candidatura do tucano e procura diferenciar Eduardo Campos do outro
candidato de oposição.
Até então, o governo de FHC vinha sendo poupado das
críticas do pré-candidato do PSB, que elogiava o ex-presidente por ter
controlado a inflação e estabilizado a economia.
Em palestras a empresários do varejo, promovida
também nesta terça-feira (13), o dirigente do PSB voltou a defender a
realização de uma reforma tributária "fatiada", feita ao longo de um
mandato presidencial.
A proposta é oposta a de Aécio Neves, que promete a
apresentação em até seis meses de administração de um projeto para redução e
simplificação dos tributos. Segundo o presidenciável do PSB, "está
mentindo" quem propõe uma reforma tributária "da noite para o
dia".
"Quem vem aqui dizer que vai mudar da noite
para o dia, eu posso dizer depois de ter vivido 12 anos no Congresso Nacional e
depois de ter sido sete anos governador (de Pernambuco), está mentindo",
criticou.
Fonte:
Folha de S.Paulo
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