Socialista afirma que eleição não vai contaminar relação institucional com a petista e frisa apoio da União em obras estaduais
No primeiro ato como o novo gestor de Pernambuco, o
governador João Lyra Neto (PSB) deu sinais de que buscará diálogo com a
presidente Dilma Rousseff (PT), a principal adversária do ex-governador
Eduardo Campos (PSB) na disputa pelo Palácio do Planalto, neste ano.
Ontem, durante a posse do seu secretariado, Lyra fez um gesto ao PT,
afirmando que muitas das ações empreendidas no Estado foram bem
sucedidas porque contaram com a participação do governo federal, citando
especificamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma.
A postura do socialista diminui a interrogação sobre como seria a
relação com o governo federal. Durante o processo de transição no
Palácio do Campo das Princesas, quando o clima entre Lyra e Eduardo
estava tenso, havia rumores de que novo gestor gostaria de renovar o
diálogo com a gestão Dilma. Ontem, quando questionado se ocorria uma
mudança de postura do governo, Lyra respondeu: “Não. O que está mudando é
o governador”, asseverou.
A declaração vai de encontro com às posições que Eduardo apresentou
nos últimos meses. Na reta final da sua gestão, o ex-governador foi alvo
de críticas da bancada do PT em Pernambuco porque, segundo os petistas,
não estaria dando os créditos das obras federais no Estado.
Ontem, apesar de reconhecer um clima de tensão entre PT e PSB, Lyra
afirmou que o Estado não será retaliado sob o seu o comando. “Eu
reagirei a esse pensamento, mas tenho certeza de que uma presidente, com
a responsabilidade que ela tem, não poderá atrapalhar ou dificultar a
relação”, afirmou. O governador ainda declarou que vai procurar a
presidente para uma audiência, caso não seja solicitada pela petista.
João Lyra disse que não vai admitir que sua administração seja
“contaminada” pelo ambiente eleitoral. “Evidentemente que eu vou
participar na medida do possível das campanhas eleitorais. A minha
prioridade, a prioridade do meu governo é exatamente a área
administrativa”, destacou o socialista.
Não é o primeiro gesto de Lyra que evidenciou, publicamente, uma
relação magoada com o ex-governador Eduardo Campos. Na última
sexta-feira, na solenidade de transmissão do cargo, Lyra antecipou-se à
ordem definida pelo cerimonial do Palácio e empunhou o microfone para
discursar primeiro. Lembrou o “poder” lhe concedido momentos antes pela
Assembleia Legislativa e afirmou que, como governador, poderia quebrar o
protocolo.
RECURSOS
No campo econômico, a busca por um novo
diálogo com o Planalto é fundamental. Um sintoma da relação deteriorada
pelas críticas de Eduardo é o balanço orçamentário do Estado dos dois
primeiros meses de 2014. Entraram no cofre estadual R$ 80,3 milhões por
meio de convênios com a União para obras e serviços (as chamadas
transferências de capital). É o menor volume repassado pela gestão Dilma
Rousseff para o período.
Na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2014, o governo projetou receber R$
1,45 bilhão desses recursos. Nos últimos dois anos, o nível de
realização dessas receitas girou em torno de 36%. Em uma conta rápida, o
governo João Lyra Neto terá que correr para aparar arestas e apresentar
projetos até junho (por conta da lei eleitoral) e assim manter a média
de captação, para conquistar cerca de R$ 522 milhões em pouco menos de
nove meses.
PRIORIDADES
Na lista de áreas que vão precisar de
uma injeção de verba federal está a agropecuária. O segmento recebeu
destaque do governador João Lyra em seu discurso de posse, que elegeu a
elaboração de políticas para convivência com a seca como fundamentais em
seu mandato. Nos cálculos do secretário de Agricultura e Reforma
Agrária, Aldo Santos, que permaneceu no cargo, o plano gestado no ano
passado para todo o Estado exigirá R$ 2 bilhões em investimentos até
2016.
“Cerca de 29 prefeituras fizeram seus planos municipais. Em meados de
maio queremos estar com 90% dos 122 municípios no semiárido com esse
plano elaborado. É preciso assim como foram feitas leis estadual e
municipal para o FEM, trabalhar isso também (para o plano de
convivência). Queremos criar um sistema que possa funcionar dessa
maneira. Chamando também o governo federal nessa relação fundo a fundo”,
pontuou.
Outra pasta dependente de recursos federais é a de Cidades, que
trocou de comando, tendo agora como secretário Evandro Avelar (PSDB).
Projetos como o conjunto viário para a Copa do Mundo e o de
navegabilidade do Rio Capibaribe só podem sair do papel por meio de
convênios com a União. Em fevereiro, o atraso nos repasses do segundo
paralisaram as obras. Só após a liberação de R$ 29 milhões pelo
Ministério das Cidades foram retomadas as obras. Ainda assim, o prazo de
conclusão que inicialmente era para junho deste ano foi postergado para
dezembro. “Não acredito em nenhuma dificuldade política com relação a
isso”, rebateu Avelar. O projeto tem um custo total de R$ 190 milhões.
Fonte:Jornal do Comercio
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