A questão é simples, embora a solução seja complicada: ou o calendário nacional se adapta ao calendário mundial ou o calendário mundial se adapta ao calendário nacional.
O melhor dos mundos para nós, brasileiros, seria a
segunda alternativa, porque ficaria como estamos acostumados e de acordo com as
estações do ano do patropi.
Difícil, para não dizer impossível, por maior que
fosse o poder de persuasão da CBF, convencer as associações de futebol e ligas
de clubes da Argentina, do Uruguai, do México, da Alemanha, da Inglaterra, da
Espanha, da Itália, da França.
Porque quase tudo o mais na polêmica outra vez
travada pela ação dos atletas respaldados por alguns dos grandes técnicos do
Brasil ou é mera desonestidade intelectual, ignorância, preconceito ou burrice
mesmo, coquetel indigesto para quem se disponha a debater seriamen
te.
Nestas horas sempre aparecem os que generalizam
para o universo do futebol a ínfima minoria de popstars e seus carrões. Ou os
que argumentam que são capazes de jogar uma pelada ao meio-dia e outra às três
da tarde em pleno verão. Não faltam os que confundem tenistas com jogadores de
futebol, nem os indignados com as reivindicações dos atletas diante da miséria
vivida pelos professores e pedreiros.
Como se nada os distinguisse, não houvesse as
especificidades se cada ofício, as exigências de talento e espetáculo, o
trabalho solitário e o exposto para milhões, bilhões de espectadores.
E têm os cartolas, além dos executivos que compram
os direitos de transmissão, que só pensam naquilo, nos ovos de ouro da galinha
que vão exaurindo aos poucos, seja por baixo dos tapetes verdes, seja por meio
de bônus milionários.
Dane-se se os estádios estão vazios, se as
audiências são decrescentes, se o Brasil é mero exportador de pé de obra, se a
cada dia, literalmente a cada dia, a banalização produz espetáculos menos
espetaculares.
Faz tempo que passou a hora de mudar, mas antes
tarde que nunca e está aí o Bom Senso F.C. para reavivar a esperança de que,
com pés no chão, sem bravatas, e sem ouvir agora a voz dos demagogos que
radicalizam para manter suas boquinhas na falida vida sindical nada
representativa, o futebol brasileiro mude na direção de ter seu gol como o
basquete americano teve na NBA.
Se a CBF preferir o confronto, paciência.
Entre os líderes do movimento, sem nenhum black
bloc, nem deslumbrado, parece haver quem possa esticar a corda até onde for
necessário para, enfim, ganhar uma queda de braço que há décadas é vencida pela
corrupção e ganância sem pudor, à custa da saúde dos atletas.
Ainda bem, também, que o governo federal, mesmo que
ainda timidamente, dá sinais de estar atento à questão.
Fala, Felipão!
Fonte: Folha de São Paulo.

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