Ilimar
Franco 13.10.2013 13h34m
A pesquisa Datafolha, como todas as pesquisas, é um retrato do momento
e, portanto, uma avaliação de seus dados não passa de uma análise contida no
seu tempo.Esta pesquisa mostra, em primeiro lugar, que a presidente Dilma é a
grande beneficiada da ausência de Marina Silva (Rede) da cédula eleitoral.
Tanto que está de volta um cenário em que Dilma poderia vencer o pleito no
primeiro turno. O levantamento mostrou também que 22% dos eleitores que
estavam dispostos a votar em Marina migraram para a presidente. Não é à toa que
a presidente Dilma andou declarando que está "numa fase de beijos".
Como se pode ver, a presidente repisa o "Lulinha paz e amor" da
eleição de 2002.
Sempre haverá quem dirá que "há muita água
para correr debaixo desta ponte". Mas essa sabedoria, de botequim, não
quer dizer nada, quando se trata de um recorte do momento. É óbvio que em
política e eleições não há bola de cristal, apenas se pode falar em tendência.
O Datafolha sinaliza que a situação da candidatura
do PSDB é, no mínimo, periclitante. O senador Aécio Neves é um político de
qualidade, mas como candidato ele tem que carregar um peso enorme nas costas.
As pesquisas anteriores já mostravam que Marina Silva tinha um desempenho
melhor que o seu. E, agora, esta revela que com o apoio de Marina Silva, o
candidato do PSB, Eduardo Campos, entra com força na briga pelo segundo lugar.
Além disso, serão dois e não mais três candidatos tentando levar a eleição para
o segundo turno.
A despeito da vontade de uns e de outros, este novo
cenário indica que nos próximos meses, na vida real, o embate político
principal será entre as candidaturas Aécio Neves e Eduardo Campos. Quem
tem maior possibilidade de ir para o segundo turno? Aécio terá de mostrar aos
eleitores que encarna melhor a idéia de mudança. Eduardo terá de convencer os
eleitores que ele representa a renovação política. Quem vai vencer? Só o debate
político vai nos revelar.
Podemos concluir, com os dados de que dispomos
agora, que o único candidato que será assombrado, nos próximos meses, será
Eduardo Campos. Marina é hoje eleitoralmente maior do que ele.
O "Volta Serra" tem pouca consistência.
Sua rejeição está na casa dos 36% e os entrevistados que dizem que não votariam
num candidato apoiado por ele são 54%. Ou seja, ele precisa ser deixado de lado
na campanha.
O mesmo vale para o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, cujo governo foi decisivo para a construção do país que temos hoje. Os
entrevistados também não votariam num candidato apoiado por ele (58%). E dizer
que os tucanos se dedicaram por meses à fio, neste último período, tentando
resgatar a imagem do governo do ex-presidente.
Por fim, o ex-presidente Lula continua sendo o
principal cabo eleitoral da política brasileira. Seu apoio faria com que 38%
votassem num candidato, enquanto 31% não votariam.
O "Volta Lula" é sempre uma
possibilidade, sobretudo nas especulações embaladas pela oposição e por
petistas "marginalizados" pelo atual governo e que posam de
"íntimos" e bem informados sobre o que se passa na "alma"
do ex-presidente. Mas o Datafolha mostra que a presidente Dilma é competitiva,
se fortalece com o apoio de Lula. Portanto, por hora, não se pode dizer que ela
está colocando em risco o projeto de poder do PT.
Mas como se diz, no jargão popular, "o futuro
a deus perte
Fonte: G1 - coluna do Ilmar Franco

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