Fotos: Google - Fila de pacientes do SUS no Hospital da Restauração
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Um tema irá ganhar a agenda da sucessão estadual de 2014 em Pernambuco na
questão da saúde: a participação das OS”s na gestão das unidades de saúde. A
atual gestão terceirizou inclusive a gestão territorial, ou seja, fragmentou
não somente a administração dos recursos públicos, mas a sua gestão. Veja o
exemplo da cidade do Recife, onde a maioria dos hospitais e exames de alta
complexidade estão concentrados em um único bairro, a Ilha do Leite. Do ponto
de vista assistencial o que tem-se assistido é um verdadeiro leilão do
trabalho médico, cada OS disputa a tapa os médicos, principalmente do PSF,
então o que deveria ser uma política de vinculação do profissional acaba
virando uma colcha de retalhos. É o mesmo modelo do setor privado da saúde. É
como se o SUS fosse um "plano de saúde público", que contrata
serviços para prestarem assistência a seus clientes/usuários. O pior é em
Pernambuco o governo praticamente entregou o sistema para um único grupo, que
além de “cuidar” de grandes hospitais, é responsável pela administração de
várias UPAS(Unidades de Pronto Atendimento), onde seu ex-presidente é o atual
Secretário de Saúde. Patrimonialismo ou coincidência? Sem entrar em detalhes,
o que é estranho é essa sinergia administrativa entre a secretaria de saúde e
essa OS, tudo muito bem alinhavado. Algumas entidades médicas e do setor dos
profissionais de saúde (Cremepe, Sindicatos etc) , bem como o Conselho
Estadual de Saúde, tem discutido essa questão, mas com pouco ingerência no
sistema, devido ao “rolo compressor” do governo de Eduardo Campos, tanto na
Assembléia Legislativa quanto em outros setores, numa desproporcional
correlação de forças.
Ricardo Andrade é Historiador e Mestre em Gestão de Políticas
Públicas/Fundaj. Leciona na Faintvisa e na Fama.
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